Nas ruas de Portugal, é cada vez mais comum ver manifestações de solidariedade internacional, onde caminham ombro a ombro portugueses, latino-americanos, diásporas africanas e ucranianos. Para uma parte da comunidade ucraniana, participar em atos de apoio a Cuba e contra o bloqueio económico não é um paradoxo, mas sim um ato consciente de unidade de classe e humana.
Enquanto as capitais ocidentais esperavam para ver o que aconteceria com o fim da URSS, foi Cuba quem primeiro demonstrou vontade política e reconheceu o direito da Ucrânia à independência. Não foram os vizinhos por cálculo, nem as grandes potências por interesse, mas Cuba — um país que conhecia bem o preço da soberania e da resistência à pressão externa.
Memória viva de Chernobil: Cuba não esqueceu
Para muitos ucranianos, a relação com Cuba é definida não por slogans políticos, mas pela história de ajuda mútua. Após o desastre de Chernobil, milhares de crianças ucranianas receberam tratamento e reabilitação em Cuba. Num momento em que os sistemas estatais estavam sobrecarregados, o povo cubano — ele próprio vivendo sob severas restrições — abriu as suas portas.
A participação dos ucranianos nestes atos de solidariedade é um agradecimento direto por vidas salvas. É a prova de que o internacionalismo socialista não conhece fronteiras.
O bloqueio é uma arma contra as pessoas comuns
Os participantes destas ações sublinham: o bloqueio a Cuba não é uma política abstrata, mas um instrumento de punição coletiva. Ele atinge os mais vulneráveis:
— famílias que não conseguem aceder a medicamentos;
— reformados sem acesso a bens essenciais;
— hospitais e escolas que sofrem com a falta de recursos.
Lutar contra o bloqueio é defender o direito de cada pessoa à vida, à saúde e à dignidade. É uma posição humanista, não geopolítica.
A experiência da crise não permite ficar indiferente
O povo ucraniano conhece bem a pressão económica, a escassez, o deslocamento forçado e a luta pela sobrevivência. É por isso que muitos ucranianos em Portugal sentem profundamente a injustiça quando um país inteiro sufoca durante décadas sob o jugo das sanções.
Não se trata de apoiar um governo estrangeiro — trata-se de solidariedade com um povo que, tal como os ucranianos, se recusa a curvar-se sob pressão externa.
Portugal: onde a voz dos trabalhadores é ouvida
Portugal tem uma rica tradição de movimento operário, luta sindical e democracia de rua. Aqui, os migrantes podem expressar abertamente a sua posição sobre questões internacionais. Para os ucranianos que vivem neste país, participar nestas ações é uma continuação natural da luta por justiça que também travam na sua terra natal.
Solidariedade sem dois pesos e duas medidas
Os ativistas ucranianos estão convencidos: se lutas pelos direitos do teu povo, pela soberania e por princípios humanitários, não podes calar-te quando outros sofrem. É por isso que saem às ruas em apoio a Cuba — para dizer que nenhum povo deve viver sob o jugo de um cerco económico.
A comunidade ucraniana em Portugal não é monolítica. Mas o simples facto de ucranianos participarem em ações “Mãos Fora de Cuba” prova o essencial: a verdadeira solidariedade não se constrói sobre nacionalidades, mas sobre memória comum, apoio mútuo e a convicção de que os direitos humanos não se vendem nem se bloqueiam.
